Como sempre, vindo de mangabeira, bairro da escola ou por causa das aulas que dou ou por causa da educação física, sempre tenho que voltar de ônibus e SEMPRE esses malditos ônibus vêm lotados! Por que meu Deus? Por quê?
E que comece a batalha! Peguem as espadas, adagas e escudos; é hora de entrar no latão! Para começar já é o empurra-empurra na porta do ônibus: vencer a primeira etapa é passar pela catraca, afinal é meia hora de fila até a catraca. É focar num espaço e entrar. Focou o espaço e entrou é hora de saber se você cabe lá, porque sempre um espertinho toma seu lugar por direito...
E é aquela falta de ar, aquele arrocho, aquele amasso, e suor, pessoas vindo do trabalho, escola, parque de diversão... E minha viagem segue dentro do latão. Não preciso me segurar, as pessoas já me seguram. É um completo vácuo, nem o ar passa! E a vida no latão continua, quando começa a briga do bêbado com o cobrador. Inicia o show. Gritos, apoio moral e xingamentos. Mas a questão chave da vida é: por que as pessoas que NÃO vão descer logo ficam na parte da frente do ônibus?! Já não basta toda essa trama, ainda temos que driblar todos que vão descer “na China” e você no bairro vizinho! Mistério da vida alheia? Vida cotidiana? É somente a vida no latão...
Texto da aluna Kamilly Lourdes F. dos Santos
1ª série C – ensino médio
1º lugar do Colégio da PMPB no Gênero Crônicas
Semifinalista da Olimpíada de Língua Portuguesa 2010